RESENHA | Uma Duas, por Eliane Brum

Uma Duas - FOTO
Laura e sua mãe, Maria Lucia, nunca viveram uma relação comum de mãe e filha; Laura sempre sofreu com o jeito único e excêntrico de sua mãe; e mesmo depois de adulta, tudo que Laura sempre quis foi ficar longe de sua genitora, algo que nunca pareceu possível por maior que fosse a distancia física entre elas. Laura se sentia presa a mãe de varias formais.

E sua luta para ficar longe da mãe fica ainda mais difícil quando a senhora fica seriamente doente e elas são obrigadas a viver juntas.

Uma Duas é narrado em primeira pessoa a maior parte do tempo por Laura, mas em certo momento da narrativa, sua mãe também ganha voz; nós conhecemos aqui desde a infância da mãe de Laura até a saída da garota da casa onde moravam, e também suas vidas longe uma da outra.

Essa foi minha segunda experiencia com a autora, anteriormente já havia lido Meus Desacontecimentos, um livro de memorias maravilhoso sobre a vida difícil da autora e como as palavras sempre tiveram um papel muito importante em sua vida.

Como no livro anterior, eu me apaixonei por sua maneira crua, verdadeira, mas ao mesmo tempo poética de contar suas estórias. Seus personagens são extremamente bem construídos e verossímeis; a relação mãe e filha aqui é retratada de forma crua, direta e verdadeira, tanto que em vários momentos chega a incomodar o leitor, principalmente por que nos é narrado momentos bastante íntimos das personagens, e isso vai, com toda certeza, embrulhar o estomago dos mais fracos.

Mas, apesar desses momentos pesados, a escrita é muito viciante, não da para largar o livro antes de acabada a leitura, tanto que eu à finalizei em apenas poucas horas. E ao finalizá-la, pude constatar uma coisa que já comecei a perceber na leitura anterior, a Eliane Brum já é uma das minhas autoras favoritas.

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RESENHA | Uma Curva no Tempo, por Dani Atkins

uma curva no tempo
Eis um livro emocionante, lindíssimo e ao mesmo tempo extremamente difícil de se falar. As opiniões positivas elevaram minhas expectativas e, por mais receosa que eu estivesse, acabei por me surpreender com a leitura que eu esperava, confesso, ser mais do mesmo. No fim das contas, a experiência foi tão única e especial, que não pude deixar de terminar a leitura sem derramar algumas lágrimas pela história.
uma curva no tempo

Aos dezessete anos, Rachel e seus amigos estão empolgados com um novo início em suas vidas: futuro na universidade. Porém, ao mesmo tempo que sentem que têm toda uma vida pela frente, os jovens também sentem o pesar da provisória separação. Em uma de suas últimas noites juntos antes de partirem rumo ao desconhecido, os amigos reencontram-se para uma despedida e são pegos de surpresa pela fatalidade de um acidente que destrói todas as suas perspectivas. Os sonhos são destruídos, relacionamentos terminados e toda a vida de Rachel é transformada porque seu melhor amigo morreu no acidente. E ela só sobrevive para continuar adiante porque ele se sacrificou por ela.

A narrativa salta para cinco anos depois, quando uma Rachel solitária e depressiva está prestes a retornar à sua cidade natal para o casamento de sua melhor amiga. O evento será o motivo de todos os amigos se reunirem novamente e, por isso, ela precisará ficar frente a frente com o passado que deixou para trás: aquele fatídico e trágico dia. O ela não imaginava, porém, é que o destino traria uma nova reviravolta para a sua vida e quem uma curva no tempo faria com que ela vivesse a realidade que sempre sonhou para sua vida.

uma curva no tempo
Ao meu ver, o livro foca no quanto uma pessoa pode mudar com a culpa pela perda de outra pessoa, além da perda em si. A Rachel de antes e depois do acidente são duas pessoas completamente diferentes e isso fica claro desde o começo. Fiquei muito surpresa com a construção da personalidade da protagonista, mas o que mais me surpreendeu, de fato, foi a própria história. Eu imaginava que haveria alguma mudança no curso do tempo, uma realidade paralela ou coisa do tipo. Contudo, eu não esperava que as coisas fossem acontecer da maneira como foi desenvolvida e nem que o desfecho da história de Rachel haveria a explicação incomum (ao meu ver) que foi apresentada.

Aproveitando o gancho do desfecho, preciso dizer que o fim é o ápice da surpresa e da emoção que o livro causa ao leitor. Foi impossível que eu permanecesse sem chorar enquanto lia a finalização da obra, que tanto me arrebatou. De fato, o livro não irá agradar a todos e nem irá satisfazer as exigências de muitos leitores, porém é impossível manter-se impassível com a história.

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RESENHA | Eu Sou O Número Quatro, por Pittacus Lore

Daniel Jones é um garoto aparentemente normal, mas é só aparentemente mesmo; ele é um alien vindo de um planeta chamado Lorien; ele teve que fugir de lá na companhia de mais oito crianças lorienas e seus respectivos cêpans (especie de guardiões designados para os proteger e ajudar a desenvolver seus legados “poderes”), enquanto o planeta enfrentava a invasão por aliens de um planeta inimigo chamado Mogadore. Antes de sua fuga, cada “dupla” recebeu uma arca que só pode ser aberta quando os garotos ser tornarem Gardes, ou seja, quando eles desenvolverem seus legados/poderes, e seu cêpan.

Na hierarquia loriena sobrevivente, ele é o número quatro. Durante um passeio de barco com amigos do colégio, uma terceira cicatriz aparece em seu tornozelo, isso significa que o número três está morto, e que ele precisa fugir imediatamente pois os mogadoreanos estão a sua procura. Então seu Cêpan Henri, arruma todas suas coisas e os dois seguem para o próximo destino, Paradise, em Ohio.

Seu nome nesse novo lugar é John Smith, órfão de mãe, ele se mudara para aquele lugar pois seu pai precisava de inspiração para escrever um novo livro. John não pode de forma alguma chamar atenção já que os mogadoreanos estão em seu encalço, mas seu primeiro dia na escola lhe traz algumas surpresas e também bastante complicações, logo que chega no colégio, além de fazer um amigo, Sam, ele se encanta por uma garota chamada Sarah, e provoca a fúria de seu seu ex-namorado, Mark; e essas novas pessoas vão tanto ajudar, quanto por sua vida e a de seu cêpan em perigo.

Quando comecei essa leitura, minhas expectativas não eram nem tão altas, nem tão baixas; adoro o filme que foi baseado nessa historia, mas consegui me conter; consegui me envolver com a narrativa de cara, a escrita do autor é muito fluida e gostosa de ler, a mitologia criada aqui é extremamente bem desenvolvida e cheia de detalhes muito interessantes; e a narrativa é toda feita em primeira pessoa, com direito a flash-backs de tudo o que aconteceu pouco antes de sua vinda à terra.

Toda história evolui de forma gradativa, tudo acontece na hora certa, nada é corrido; a relação entre o John e o Henri é realmente de pai e filho, eles brigam, se amam e protegem um ao outro como se realmente fossem parentes de sangue. A amizade entre o John e o Sam também é muito verdadeira, eles se ajudam muito durante todo o livro.

 

As cenas de ação são extremamente bem construídas e verdadeiras, fiquei com o coração na boca por muitas vezes ao longo da leitura, e seu desfecho me deixou bastante emocionada.

O John é um personagem típico de livros infanto-juvenis, ao mesmo tempo que é forte, ele por muitas vezes parece querer desistir de tudo; principalmente quando o assunto é seu namoro com a Sarah; e foi justamente essa parte que não me agradou, esse #istalove tão típico de desse tipo de livro me irritou bastante, mas o romance assim como o próprio personagem amadurece muito ao longo de sua aventura no nosso planeta.

Eu Sou O Numero Quatro, primeiro livro da série Os Legados de Lorien, escrita pelos autores James Frey e Jobie Hughes (Pittacus Lore é só um pseudônimo usado por eles), é um ótimo sci-fi infanto-juvenil, repleto de aventura, ação e uma boa dose de romance.

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RESENHA | A Espada De Vidro, por Victória Eveyard

Espada de Vidro - Cópia (2)
Depois dos acontecimentos que puseram a vida de Mare Barrow de cabeça para baixo no livro anterior, ela finalmente consegue fugir das garras da Rainha Elara e vai em busca da verdade por trás de seus poderes inexplicáveis, e de um grande segredo a muito escondido: ela não é a unica vermelha com poderes.

Depois dessa revelação, os planos de Mare para acabar com o poder da rainha ganha muito mais força, pois ela acredita que com a ajuda dessas pessoas, pode conseguir seus objetivos, e então começa sua busca pelos outros sangue-novos; mas como nada na vida da garota é fácil, durante o recrutamento, ela vai passar por muitas dificuldades e enfrentar muitos obstáculos.

Iniciando exatamente a partir do ponto em que o primeiro volume, A Rainha Vermelha, finalizou, A Espada de Vidro foi uma continuação de serie igualmente chocante, emocionante e de tirar o folego.

O desenrolar dos conflitos aqui narrados foram muito mais surpreendentes do que eu esperava, conhecer mais sobre cada personagem, casas, ambientações e poderes dos sangue-novos foi extremamente interessante. Nesse segundo livro também passamos a conhecer mais sobre a Mare; seus pensamentos, sentimentos e conflitos pessoas são muito mais nítidos ao leitor, tanto que em vários momentos fiquei com muita raiva do rumo pelo qual ela estava seguindo; ela esta se tornando cada vez mais egoísta e sentimental; espero que isso mude no próximo livro.

Mas apesar de em muitas partes ela estar confusa, o que até é compreensível, por conta de toda a pressão em cima dela,: ela continua cada dia mais forte e guerreira. A unica coisa que me irritou totalmente durante a leitura foi o romance, se existe um triangulo amoroso mais desnecessário que esse, eu desconheço e quero passar longe.

Enfim, a escrita da Victoria Eveyard continua maravilhosa e muito fluida, todo o mundo que ela criou e seus personagens estão cada vez mais bem construídos e conviventes; estou louca para conferir o que vem por ai, pois o final dessa leitura foi tão surpreendente quanto a do anterior. Graças aos deuses, a Editora Seguinte, selo da Companhia das Letras anunciou recentemente o lançamento do terceiro livro da serie, A Prisão do Rei, para o dia 6 de março!

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RESENHA | O Encantador De Livros, por Lucas de Sousa

o encantador de livros
A Cidade dos Livros é o lugar dos sonhos de qualquer leitor; lá a leitura é uma prática constante, todos os moradores vivem, trabalham e se divertem com os livros. Em todo e qualquer lugar pode-se encontrar alguém lendo. As pessoas tinham suas próprias bibliotecas, e as bibliotecas públicas eram sempre cheias.

Mas essa paixão estava sendo ameaçada pela atual prefeito da cidade, Bonanza, que fazia de tudo para banir os livros e por a tecnologia em seu lugar. Todos eram contra essa ideia, mas não sabiam como evitar que seu plano fosse posto em pratica, ainda mais porquê o prefeito afirmava que o Encantador de Livros estava do seu lado. Mas como seria possível um homem que adorava livros querer se livrar deles?

O Encantador de Livros é um mágico que usava os livros em suas ilusões; um dia o prefeito anuncia que irá oferecer uma festa de boas vindas para ele, logo depois aparece uma suposta carta avisando que ele não poderá comparecer. Mas coisas muito estranhas começam a acontecer, e um grupo de crianças resolve investigar esse mistério; Benjamin junto aos seus amigos Ariane, Andre e Nicholas, invadem a festa do prefeito para tentar provar que o Encantador de Livros está sim na cidade e também para abrir os olhos da população para os verdadeiros planos de Bonanza.

O Encantador de Livros do autor Lucas de Sousa em um primeiro momento pode parecer só mais um infãnto-juvenil bobo que contem uma capa chamativa, mas quem lê sua sinopse se apaixona de imediato. Esse é um livro que fala sobre… Livros, sobre o amor pela leitura e a importância que ela tem na vida das pessoas.

Meu personagem favorito foi, sem dúvidas, o Benjamim, um garoto analfabeto que vive com a madrasta Eunice, depois que seu pai desapareceu. Mesmo não sabendo ler, o menino é amante dos livros, passa seus dias indo de casa em casa recolhendo livros para montar sua biblioteca pessoal; e foi isso o que me chamou a atenção e fez com que eu me apaixonasse por essa história.

A escrita do Lucas é extremamente fluida, seus personagens e ambientações foram muito bem construídos e desenvolvidos; a capa me fez lembrar imediatamente do filme UP -Altas Aventuras, e enquanto lia consegui imaginar cada ambiente descrito e cada personagem como os do filme.

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RESENHA | Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, por J. K. Rowling

harry potter e a criança amaldiçoada
E eis que anos depois da última publicação nós tomamos o Expresso de volta à Hogwarts. Em Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, estamos vários anos após a Batalha de Hogwarts, em que Lord Voldemort foi derrotado. Alvo Severo Potter, filho de Harry Potter, inicia sua vida escolar. O menino, que cresceu com o peso de carregar o sobrenome Potter, sempre sentiu certa intimidação por ser filho de quem é. A grandiosidade dos feitos de seu pai foram sempre tão presentes em sua vida e este fato o segue até Hogwarts, local que passa a detestar logo a princípio.

Alvo faz um grande amigo e, buscando consertar alguns erros do passado do pai, o garoto acaba por enfiar os pés pelas mãos. Agora, o mundo bruxo corre perigo e somente ele, quem iniciou o ciclo dos fatos, será capaz de reverter a situação.

Quão maravilhoso foi voltar para o universo que me acompanhou ao longo da infância! O livro, que é o roteiro da peça escrita em parceria entre J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany, transporta o leitor de volta ao mundo mágico da mesma forma que os romances da série. Para mim, foi uma experiência incrível reviver o universo, reencontrar personagens – que são, para mim, como amigos – e tomar conhecimento de suas vidas no futuro. Por mais piegas e suspeita que sou para falar, simplesmente amei a leitura!

O que me surpreendeu, de fato, na leitura, foi não ter sentido desconforto ao ler a obra em formato de peça. Não sou acostumada a ler livros neste formato, mas de maneira alguma ele influenciou negativamente a minha experiência de leitura. Pelo contrário, o roteiro especifica ações, pensamentos e feições das personagens que auxiliam na compreensão da história. Além disso, a leitura me pareceu extremamente dinâmica neste formato, sem alterar minha percepção da história.

Finalizo dizendo que seria impossível que eu não gostasse do livro, por mais diferenciado que tenha sido. É uma leitura imprescindível aos fãs saudosos da série e, sem dúvida, mais uma obra que deverá ser adicionada à lista de livros que nossos filhos e netos serão incentivados a ler.

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RESENHA | Corte de Espinhos e Rosas, por Sarah J Maas

corte de espinhos e rosas
Quem acompanha o blog e o canal já percebeu que eu ultimamente ando tendo quedinha por fantasias. Nos últimos meses o nome Sarah J Maas surgiu frequentemente em minha lista de autoras que eu gostaria muito de conhecer, seja por Trono de Vidro ou por Corte de Espinhos e Rosas. Eis que surgiu-me a oportunidade de conhecer a escrita da autora com Corte de de Espinhos e Rosas e eu a agarrei com tudo. Após a leitura da obra, posso afirmar que a autora me fisgou e eu agora quero ler tudo dela.

A história nos apresenta Feyre, a filha caçula de uma família falida – e atualmente paupérrima. Lutando pela sobrevivência da família, Feyre é a que caça para sustentar a todos, mesmo que não seja completamente reconhecida. Na verdade, a protagonista é, diversas vezes, menosprezada e abusada por suas irmãs e pai.

Certo dia, quando os suprimentos há muito haviam acabado e todos dependiam de sua caça mais do que nunca, Feyre mata um grande lobo de olhos amarelos. O que ela não sabia, é que seu ato iria despertar a fúria de Tamlin, Grão-Senhor feérico da Corte Primaveril, que vai até ela em busca de acertar as contas. De acordo com um tratado assinado há muito tempo entre humanos e feéricos, Feyre deveria ser levada para viver no reino do Grão-Senhor a fim de pagar sua dívida.

Corte de Espinhos e Rosas é um livro bastante extenso. Não falo somente por suas quase quinhentas páginas, mas porque acontecem tantas coisas ao longo da leitura, que tive a impressão de ler um livro bem maior. Contudo, tal impressão não surtiu em mim com relação ao dinamismo da leitura, uma vez que devorei as páginas em questão de poucos dias.
corte de espinhos e rosas
Sarah J Maas apresenta um universo fantástico bastante peculiar e detalhado. Prythian é uma terra que contém uma grande muralha, separando o mundo mortal (dos humanos) das cortes feéricas. Humanos e feéricos guerrearam no passado e atualmente vivem em um frágil acordo. Os humanos crescem aprendendo a detestar os feéricos por terem subjugado humanos no passado (os fizeram, inclusive, de escravos) e por serem criaturas terrivelmente maléficas. Contudo, quando inicia sua vida detenta na Corte Primaveril, Feyre aprende muito mais acerca do mundo feérico e que nem tudo o que aprendeu desde o berço é completamente verdade.

Acredito que o ponto mais forte em toda a história, para mim, foi a própria construção da fantasia, desse mundo completamente novo para mim – incluindo as criaturas. Desde o primeiro instante em que Feyre atravessa o muro, me senti presa e conectada à história de maneira indescritível. Por outro lado, a própria Feyre não me pareceu tão bem construída quanto a fantasia. Senti que ela foi ao longo de toda história, de uma ambiguidade irritante. Desde o fato de detestar a forma como a família a trata, de se sentir injustiçada e, ainda assim, se deixar ser pisada e maltratada pelos seus até o fato de, mesmo afirmando frequentemente ser uma humana medíocre, ainda se submeter a situações de risco ridículas junto dos feéricos. Eu senti, sim, que ela era uma personagem extremamente forte e dona de si, mas houve momentos em que eu não consegui aceitar de pronto algumas atitudes dela.

Um outro ponto forte, porém, são os personagens secundários e até mesmo os anti-heróis e vilões da história. Todos eles me pareceram verdadeiramente reais, me cativaram completamente e a autora foi extremamente habilidosa ao enlaçar todos eles muito bem na trama da história.

Enfim, terminei a leitura realmente apaixonada pelo livro, completamente fisgada pela história. Estou, agora, muitíssimo ansiosa pela continuação que, dizem, ser ainda melhor do que o livro de estreia da série. Espero de todo coração não me decepcionar.

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RESENHA | Em Algum Lugar Nas Estrelas, por Clare Vanderpool

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Jack Baker morava no Kansas com seus pais, sua infância foi feliz, apesar da ausência do seu pai, um militar do exercito. Um dia, depois da morte de sua mãe, que foi diagnosticada com um aneurisma cerebral, seu pai o manda para um internato chamado Morton Hill, no Maine.

Depois dessa mudança drástica em sua vida, Jack, que é um jovem frágil e cheio de temores, demora muito para se adaptar a nova vida, seus colegas o ignoram e ele sofre com a distancia do pai; mas as coisas mudam quando, depois que o garoto sofre uma decepção em Morton Hill e acaba vai acabar topando com Early Auden no porão do colégio.

Early é um garoto bastante peculiar, perdeu a mãe no parto, o pai, que era zelador do colégio, morreu quando ele era muito jovem, seu irmão mais velho foi convocado para servir no exercito e recentemente foi dado como morto  a partir de então o garoto teve que ficar sozinho morando no colégio. Ele também estuda ali, mas só aparece na aula de matemática.

Jack fica totalmente sem reação ao conhecer o garoto, pois os outros garotos aviam o avisado para não se aproximar do garoto; mas, quanto mais Jack se aproxima de Early, mais vai ficando curioso com a historia dele, e eles acabam construindo uma amizade que vai ser capaz de mudar a vida de ambos.

Em Algum Lugar Nas Estrelas é muito mais que um livro sobre uma aventura entre amigos, é um romance intenso sobre a difícil arte de crescer em um mundo que nem sempre parece satisfeito com a nossa presença.

O Early é, de longe, o melhor personagem do livro, ele é completamente viciado em matemática, principalmente pelo número Pi e pode ver os números como formas, cores ou texturas e diz ser capaz de provar que o número Pi é infinito, discordando da teoria que seu professor de matemática havia passado para eles. Mas, não é apenas isso, o garoto pode ler os números como uma história.

Para a época em que a historia se passa, o autismo ainda não tinha sido diagnosticado, mas o Early é claramente autista, e é isso que o torna um personagem tão interessante. Já o Jack não é tão interessante, tudo o que ele passa é muito triste e angustiante, mas não consegui, de modo algum, me apegar a ele.

No começo dessa leitura, não estava conseguindo entender todo o hype que o livro teve desde seu lançamento em 2016, foi só a partir da pagina cem, quando os dramas ao redor dos personagens começam a ser trabalhados, que eu me apaixonei por essa história.

Mas apesar de não ter gostado da leitura desde o inicio, a leitura fluiu de uma forma incrível; a escrita da Clare Vanderpool é maravilhosa, poética e cheia de mensagens muito importantes sobre amizade, companheirismo, lealdade e família. Uma leitura mais que recomendada!

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RESENHA | O Recomeço, por Isa Colli

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A história tem início com os Casagrande de Menezes, uma família influente de São Paulo que está fazendo uma viagem de férias a Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Lá, vive Olímpio, pai de Arthur – patriarca da família – e avô de Maria Paula, uma das protagonistas da história. Maria Paula é a típica mocinha da cidade e muitos poderiam se referir a ela pelo adjetivo de patricinha mimada.

Ao chegar em Angra dos Reis, contudo, ela conhece João Carlos, um jovem e aventureiro surfista. JC, como seus familiares e amigos o chamam, vem de uma família simples e é nativo da região. Quando conhece Maria Paula, o interesse é quase imediato e também recíproco, o que leva os dois ao primeiro envolvimento amoroso da juventude. Porém, o romance de verão recebe uma guinada do destino quando os sintomas que João Carlos vem sentido há algum tempo apontam para uma grave doença que mais tarde será diagnosticada por câncer de estômago. Agora, a adversidade levará não somente o jovem casal, mas todos os envolvidos na vida de JC a reestruturar seus alicerces.

O Recomeço, escrito pela autora Isa Colli, é um livro que fala muito sobre superação e a importância das pessoas queridas neste processo. Já no prólogo do livro, o leitor se depara com qual será o tema abordado na história, de modo que a enfermidade do protagonista não é surpresa em momento algum. Contudo, o desenrolar da história e a forma como as circunstâncias vão se dando na vida das personagens envolve o leitor e o instiga a descobrir qual será o desfecho da obra.

Ao longo da leitura, o leitor se depara com diversos pontos de reflexão incutidos pela autora. Como a importância da preservação do ambiente (tema amplamente explorado nos livros da autora), a solidariedade e amor para com os seus semelhantes, a valorização das experiências de cada momento e, acima de tudo, as informações transmitidas sobre sintomas de doenças oncológicas e a importância do cuidado para com a saúde e os benefícios do diagnóstico prematuro.

Através de uma narrativa fluida e envolvente, Isa narra os acontecimentos em terceira pessoa e explora todos os personagens, fazendo com que o leitor seja devidamente apresentado a todos. Indo mais além, a autora apresenta, no fim do livro, depoimentos de pessoas que tiveram contato direto com o câncer, desde sobreviventes da doença até médicos experientes no assunto, deixando ainda mais claro sua intenção informativa com a obra.

A leitura foi leve e bastante rápida para mim, o que indica a fluidez da escrita de Isa. Muito contribuiu também o fato de sua narrativa não ser muito floreada e extensa: ela vai direto ao ponto. Tive a impressão, porém, de haver certa inconstância nos diálogos entre os jovens. Ao mesmo tempo que havia formalidade intensa um tanto quanto questionável entre eles, havia também alguns momentos de linguagem coloquial e gírias. Senti, nesses momentos, certo distanciamento na relação leitor-personagem. Felizmente, porém, essa sensação rapidamente se esvanecia conforme me reintegrava à história.

Por fim, o livro é um romance muitíssimo agradável e envolvente que traz a quem lê mensagens de impacto. Aproveitei bastante o tempo enquanto lia e acredito que os amantes dos romances – especialmente os sick-lits – e que apreciam as transmissões nas entrelinhas irão se deliciar com a obra de Isa.

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RESENHA | Em Um Bosque Muito Escuro, por Ruth Ware

em um bosque muito escuro
Nora é uma jovem escritora que aprecia a reclusão. Vivendo em Londres, a autora passa os dias em sua própria companhia em seu pequeno apartamento. E é feliz assim, a vida segue tranquilamente. Até que ela recebe um e-mail com o convite inusitado para a despedida de solteira de Clare, sua melhor amiga do passado e com quem não se comunica há dez anos.

Após muito ponderar sobre a insistência do convite, Nora se decide por ir à festa. E o que deveria ser um final de semana de reencontro tranquilo entre amigas passa a ser um turbulento confronto com o passado. Isso porque ao reencontrar não somente Clare, mas outras pessoas de seu antigo círculo de amizades, Nora irá descobrir mais sobre seu eu do passado da pior forma: se envolvendo em um assassinato.

A princípio, a premissa de Em Um Bosque Muito Escuro chama atenção. Não somente pelo fato de haver o desenvolvimento de um crime, como também pelo passado misterioso da protagonista, que instiga o leitor desde o início da leitura. Mas o que poderia ter sido uma leitura de história muito bem elaborada tornou-se em uma experiência desapontadora.
em um bosque muito escuro
A começar pelas primeiras páginas – em que a autora solta uma informação que considerei um baita spoiler conforme avancei as páginas – a trama tem início de uma maneira completamente inverossímil. Fica claro para o leitor desde o princípio que a amizade entre Nora e Clare sempre foi abusiva. Muitas vezes, ao longo da leitura, me questionei se o sentimento de amizade entre as duas alguma vez foi genuíno.

Com o avançar da história, eu realmente não comprei a ideia de Nora aceitar passar um final de semana em uma cabana no meio do nada comemorando a despedida de solteira da ex-melhor amiga que não vê há dez anos, e o pior: com outras pessoas que ela nunca viu na vida. Acho que eu compreenderia se houvesse algum motivo realmente plausível para que ela aceitasse, mas a partir do ponto que eu não vi sentido em sua escolha e que eu já sabia quem seria assassinado porque a autora solta essa “dica” no início do livro, toda a leitura desandou para mim.

O livro não é de todo ruim, porém. Conforme a reconstrução do crime vai sendo feita na cabeça de Nora, acompanhamos a sua luta por manter o passado em seu lugar – sabemos que uma fase de sua vida se deu de forma trágica, mas não sabemos como. Quando o ocorrido é revelado, muitas coisas que não entendemos passa a fazer sentido, mas de novo vem o mau desenvolvimento. Conforme Nora vai se recordando dos acontecimentos da noite do crime, foi ficando muito óbvio para mim quem era o assassino, de modo que sua revelação para mim não foi nada surpreendente. Além disso, os motivos que levaram o assassino a cometer o crime foi, ao meu ver, muito fraco. Senti falta de mais.

Enfim, sinto em dizer que a leitura que tinha minhas expectativas elevadas na verdade me foi uma grande decepção. Compreendo os motivos de quem gostou da história, mas apenas se a pessoa achar plausíveis os motivos das ações das personagens. Fora isso, para mim o suspense da história foi fraco, o clímax não foi surpreendente e eu finalizei a leitura achando que toda a trama foi uma soma de coisas mal resolvidas.

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