RESENHA| O Guia de Uma Ciclista Em Kashgar, por Suzanne Joinson

kashgar-illo_2311828b

No ano de 1923, Evangeline English, embarca com sua irmã, Lizzie, e sua amiga Millicent, para a antiga cidade de Kashgar, no oeste do deserto de Taklamakan, no sopé das montanhas Tian Shan, China, afim de empreender uma missão cristã no local. Mas Eva, secretamente, tem motivações aventureiras, e pretende relatar tudo o que vivência naquele lugar tão diferente em um livro, um guia para ciclistas.

Nos tempos atuais, Frieda, conhece Tayeb, que estava dormindo em frente a sua porta no prédio onde mora. Mas ao acordar no dia seguinte, entretanto, ele não está mais lá, o que Frieda não consegue compreender é o fato de ele ter deixado em sua parede o desenho de um pássaro e uma frase escrita em árabe.

Quando eles se reencontram, acabam unindo-se, pois ambos precisam da ajuda um do outro. Frieda descobri ser a parente mais próxima de uma mulher que acaba de falecer, de quem nunca ouviu falar.

Narradas de forma intercalada, o ponto de vista de Evangeline em forma de diário, em primeira pessoa, e o de Frieda em terceira pessoa, iremos acompanhar as histórias dessas mulheres aparentemente tão opostas, mas que tem um passado em comum.

Ganhei esse livro há alguns dias de uma amiga, fiquei bastante intrigada com sua premissa, e iniciei a leitura assim que possível. Me decepcionei logo de cara, pois apesar de o livro ser curto, ele é bastante descritivo e os diálogos não são nada interessantes, o que tornou a leitura bastante monótona. Me vi obrigada a passar várias páginas ao longo dela. As personagens são igualmente sem graça, suas histórias não me chamaram nem um pouco a atenção, e a revelação final do livro foi previsível.

Mas apesar de eu não ter me conectado em momento algum com a obra, Guia de Uma Ciclista em Kashgar é um livro bem escrito, e as ambientações são descritas pela autora Suzanne Joinson para o leitor de forma bastante detalhada, o que nos faz visualizar perfeitamente tudo o que está sendo narrado.

Continue Reading

RESENHA | If I Stay, por Gayle Forman

if i stay

Quem acompanha o blog e o canal há algum tempo sabe que eu gosto bastante dos romances de Gayle Forman. If I Stay – Se Eu Ficar, aqui no Brasil – é o único livro da autora publicado em solo brasileiro que eu ainda não havia lido. Aproveitei então o início das férias para me dedicar à leitura do livro, minha primeira em inglês.

O livro comove ao levar o leitor a refletir sobre a imprevisibilidade da vida. Sobre como tudo efêmero e pode mudar em questão de segundos. Ao abordar perdas familiares, Gayle Forman coloca o leitor na pele da protagonista e a difícil decisão que precisa tomar.
if i stay
Em uma típica manhã de neve no Oregon, Mia e sua família saem com destino à casa de uns amigos. Mas o que era para ser um alegre passeio em família transforma-se em pesadelo em forma de acidente. A vida de Mia jamais é a mesma após este dia.

A história é narrada pelo ponto de vista de Mia e o inesperado acidente ocorre logo nas primeiras páginas do livro. Logo em seguida, o leitor se depara com a protagonista buscando compreender o que está acontecendo a sua volta. Até descobrir que encontra-se em um estado extraordinário em que sua consciência foi separada de seu corpo, agora em coma.

Através de uma narrativa simples e envolvente, a autora apresenta os acontecimentos do presente e do passado de Mia, trazendo a tona as lembranças mais emocionantes da garota. Sua paixão à primeira vista pelo violoncelo. O nascimento do irmão. Momentos com os pais e os avós. Sua primeira grande amizade. Seu primeiro amor. Todas as lembranças de Mia são apresentadas conforme as personagens secundárias envolvidas vão surgindo em sua história do presente.
if i stay
O livro, como citado anteriormente, trata de assuntos muito delicados e de maneira bastante sutil. O foco da história, ao meu ver, não está exclusivamente no drama de Mia, mas em sua história de vida. No fato de vermos importância nas coisas mais simples. Da felicidade de Mia resumir-se àqueles a sua volta.

A leitura foi extremamente válida para mim. Me emocionou, me ensinou e me fez refletir diversas vezes sobre a felicidade das pequenas coisas. Me senti realmente leve após finalizar a leitura e acredito que os sensíveis aos dramas leves e bem construídos se sentirão assim também.

Continue Reading

CINEMA | A Bela e a Fera

a bela e a fera
Estreou ontem (16/03/2017) um dos mais aguardados filmes do ano. A nova versão de A Bela e a Fera, protagonizada por Emma Watson teve início das filmagens há mais de dois anos e causou constante expectativa nas pessoas desde então.

A releitura do clássico da Disney mantém a premissa do original. Provinciana do interior da França, Bela é uma jovem a frente de seu tempo. Ambiciosa, sonha com mais do que a pequena vila pode prover – os destinos infindáveis que encontra nos livros que ama ler. Sua vida, contudo, muda completamente quando seu pai é posto em cativeiro no castelo da Fera – uma criatura até então desconhecida por todos.

O segredo que a Fera guarda é que, por baixo da aparência assustadora, vive um príncipe amaldiçoado. No passado, seu egoísmo e vaidade o levaram a cometer uma injustiça e, como pagamento, deverá passar seus dias no corpo de uma besta até que aprenda a amar verdadeiramente – e mais importante: ser retribuído.
Beauty-Beast-2017-Movie-Posters
Muitas pessoas – eu, inclusive – foram aos cinemas esperando assistir a uma versão live action da animação da Disney de 1992. Mas embora algumas cenas tenham sido exatamente idênticas às da animação, a experiência provou ser diferente do clássico em muitos aspectos.

A premissa fiel conta com cenas antes não vistas, para a surpresa dos espectadores. Aprofundamento do passado tanto de Bela quanto da Fera, levando-nos a conhecê-los melhor; elenco com diversidade racial (negros na corte francesa); diversidade de gênero, trabalhada ao longo de todo o filme e posta às claras no desfecho da história; além da figura de Bela mais independente e dona de si. Enfim, o filme é uma adaptação de romance digno do século 21.

Com relação à fidelidade com a animação original, o filme mantém a musicalidade. Em diversos momentos todo o elenco solta a voz para narrar os acontecimentos. Essa característica, em específico, pode não ser do agrado de todos, mas é mais um vínculo com a obra original.
a bela e a fera
Sobre a estética do filme, digo que me apaixonei. Os cenários são belíssimos, assim como o figurino das personagens. Remetem bastante ao período de ambientação, e não somente: ao original também.

Este é, sem dúvidas, o meu conto de fadas favorito. Não só da Disney, mas de um modo geral. Sempre admirei a determinação de Bela, seu inconformismo, seu constante desejo de sair da zona de conforto – características que enxerguei em mim desde a minha infância. O encanto fez-se crescente quando Bela mostra também sua coragem e abnegação ao trocar de lugar com o pai no cativeiro da Fera. Não parando por aí, a mocinha (que de mocinha não tem nada!) mostra-se destemida: mesmo vivendo com a Fera e percebendo sua grosseria, ela não se amedronta. Pelo contrário, o enfrenta sempre que julga necessário.

Com o passar do tempo, minha afinidade com a personagem se intensificou: descobri que também divido com ela o amor pelos livros. Depois disso, o desejo de conhecer pessoalmente os mundos para os quais viajo quando leio intensificou-se. Descobri que leitores não possuem barreiras.

Outra característica da história que me emociona e motiva muito é sua moral. A de amar com o coração, amar as pessoas pelo que elas são, não pelo que aparentam. Essa é uma lição que levarei para sempre comigo.

SOBRE O CONTO

A Bela e a Fera é um conto muitíssimo antigo. Suas origens, segundo alguns estudiosos, podem ser encontradas no mundo clássico da mitologia grega com a história de Eros e Psiquê. Porém, a versão atual do conto adaptada pela Disney foi escrita por uma mulher no século XVIII.

Tradicional conto francês, A Bela e a Fera foi incialmente escrito por Gabrielle-Suzanne Barbot, Dama de Villeneuve (vila em que Bela vive), no ano de 1740. Porém, foi posteriormente reescrito com algumas modificações por Jeanne-Marie LePrince de Beaumont. Contudo, embora tenha sido escrito no século XVIII, tudo leva a crer que a história atemporal de Bela seja ambientada por volta do século XVI. Províncias feudais com castelos rurais. Notre Damme já construída, e a Champs-Élysées como turismo já em alta são alguns indícios. Porém, um fato que traz dúvidas com relação ao período da história é a Peste Negra, motivo pelo qual a mãe de Bela faleceu. A Europa somente foi assolada pela Peste no século XVI.

Enfim, o filme está lindíssimo e, por mais suspeita que eu seja para falar, digo que está imperdível. Corram para os cinemas, garanto que não irão se arrepender!

Assista ao Trailer:
https://www.youtube.com/watch?v=yzHuQPgO3Gs

Elenco: Emma Watson, Dan Stevens

Continue Reading

RESENHA | A Rosa e a Adaga, por Reneé Ahdieh

a rosa e a adaga
Um dos lançamentos mais esperados do ano, A Rosa e a Adaga traz ao leitor a continuação de A Fúria e a Aurora. Assim como todos os leitores que se encantaram pelo primeiro livro, eu também estava louca pela continuação. Ainda que, em alguns pontos, o livro anterior tenha me parecido falho, foi uma leitura muito válida (confira a resenha aqui). Contudo, assim como eu esperava, as pontas soltas do livro anterior foram conectadas na continuação. E de maneira muito bem feita, aliás.

Sherazade está em apuros. Khalid, o Califa de Khorasan – e também seu esposo -, é vítima de uma maldição. A cidade amada e governada por ele sofreu uma tempestade que devastou boa parte dela. E, para completar, na fatídica noite eles se separam um do outro. Agora, em um acampamento junto daqueles que fazem parte de sua família, Sherazade não sabe mais em quem deve confiar. Isso porque as pessoas do acampamento são contra seu marido, o monstro assassino de esposas de por quem ela se apaixonou. O maior deles, Tariq, seu primeiro amor, quem jura morte ao califa na primeira oportunidade.
a rosa e a adaga
Mas a teia de intrigas não permanece nesse cenário. Outras pessoas, mais influentes e poderosas almejam a queda do califa e um jogo de interesses se desenlaça ao longo da leitura. Sherazade mal imagina que as pessoas mais próximas dela se tornarão seus inimigos e as reviravoltas também mostram que os inimigos de antes possuem outra face.

Neste segundo livro, Renée Ahdieh não poupa o coração do leitor. A partir da trama do livro anterior, a autora desenvolve uma rede de intrigas, ambições e traições que tiram o fôlego de quem lê. Se eu antes achava Tariq e Rasam dispensáveis, em A Rosa e a Adaga eles se fazem mais necessários do que nunca. O romance, anteriormente incômodo por sua demasia, vem no segundo volume em uma dose absolutamente justa. Até mesmo a magia, ponto em que a história se desenvolve enquanto fantasia, é mais explorada e explicada – mesmo que ainda não como eu esperava.
a rosa e a adaga
Ao longo da leitura apenas dois fatores foram de difícil aceitação para mim. O primeiro foi que, enquanto eu lia, em diversos momentos me pegava dependente dos detalhes do livro anterior – dos quais eu lembrava muito pouco ou nada, já que li há vários meses. Senti que a autora poderia ter tido um pouco mais de cuidado ao mencionar esses detalhes do livro anterior que mostraram-se necessários para o desenvolvimento do segundo livro. O outro fator que me incomodou foi o frequente caso de as personagens chamarem umas as outras pelo nome completo. Não sei dizer se isso faz parte da cultura árabe ou se foi o estilo de escrita da autora para dar certa dramaticidade à história. O fato é que a demasia com que esses acontecimentos se deram me deixou saturada em alguns momentos.

A Rosa e a Adaga foi, ao meu ver, extremamente fiel à história épica que se iniciava a princípio. Todos os elementos foram desenvolvidos de maneira igualitária, de forma que nenhum se sobressaiu. Pelo contrário, os leitores que foram fisgados a princípio pelo romance do primeiro livro correm o risco de sofrer uma leve decepção com a continuação. Contudo, deixo registrada a minha intensa recomendação à leitura. É um livro que vale muito a pena. Além das questões da própria história, o leitor será também apresentado a mensagens belíssimas de amor, lealdade e sacrifício por aqueles que prezamos.

Continue Reading

Resenha | Uma História de Solidão, por John Boyne

uma história de solidão
Odran Yates, sempre foi um garoto muito quieto e tímido, filho mais velho de três irmãos, ele era apenas uma criança quando uma tragédia veio para abalar sua família e mudar seu destino para sempre.

Quando Odran era adolescente, sua mãe disse acreditar que o garoto tem vocação para ser padre; o menino então aceita esse destino sem questionar, e entra para uma escola preparatória para a vida eclesiástica.

Lá ele conhece Tom Cardle, um menino que odeia aquela vida, e faz o que pode para mostrar isso, pois foi obrigado pelo pai agressivo e abusivo a frequentar o lugar e viver aquela vida. Os dois dividem um quarto e logo tornam-se amigos, mas a inocência de Odran não o deixa enxergar o verdadeiro Tom.
Muitos anos depois de ser ordenado padre, Odran segue sua vida de maneira pacata, trabalhando em uma escola para meninos, até que seu superior pede sua transferência para uma paróquia; por coincidência, a mesma pela qual Tom era responsável.

Tom era transferido de paróquia com uma frequência impressionante, mas Odram nunca tinha dado muita atenção  àquilo, até aquele momento; a partir dessa última transferência, Odran passar a suspeitar que tinha alguma coisa muito errada acontecendo; e que a igreja esta fazendo de tudo para manter o assunto por debaixo dos panos.

Do dia para a noite sua vida começa a mudar drasticamente; as regalias de ser padre e o respeito das pessoas por ele já não existem mais, e ele demora a entender o porquê de aquilo estar acontecendo; ele só entende quando tudo começa a desmoronar a sua volta. E essa descoberta irá lhe fazer voltar ao passado e reviver momentos bastante angustiantes de sua existência.

Em Uma História de Solidão, John Boyne aborda um assunto extremamente pesado e atual: a pedofilia na igreja católica.

Aqui vamos acompanhar junto ao protagonista, sua trajetória, da infância à vida adulta; o próprio Odram nos narra, de forma não linear, sua vida, e assim, junto a ele, vamos nos deparar com alguns detalhes que antes, em sua inocência, ele tinha deixado passar; talvez bloqueados por sua mente como forma de evitar sofrimentos.

Essa foi uma leitura surpreendente para mim; em se tratando de John Boyne, eu já esperava uma obra muito emocionante e cativante; mas acabei sendo pega totalmente de surpresa, principalmente pelo estilo mas adulto de sua narrativa; anteriormente eu havia lido dois livros do autor, O Menino do Pijama Listrado e O Menino no Alto da Montanha, ambos livros infantojuvenis sobre a segunda guerra mundial e já havia me apaixonado totalmente por essas leituras.

Como já adiantei acima, o livro nos é narrado de forma não linear, ou seja, ele não segue uma ordem cronológica dos fatos, e no começo da essas mudanças repentinas me deixaram bem perdida, mais depois que me acostumei fui completamente imersa nessa leitura, não consegui largá-la antes de seu desfecho.

Outra coisa que me surpreendeu muito foi a complexidade e riqueza de detalhes encontradas ao longo da leitura, eu consegui imaginar cada ambiente conforme ele ia sendo apresentado, o que é sempre maravilhoso em uma leitura. Os personagens são desenvolvidos de forma excelente, o caráter de cada um foi trabalhado de forma que não dava nem para odiar nem para amar nenhum deles. Apesar de a historia ser bem mais complexa que as das obras que já li, e de o livro possuir 400 paginas, a escrita do autor é muito leve e fluida, como sempre, o que torna a leitura bem mais rápida e agradável.

Enfim, esse é um livro extremamente comovente sobre infância, a perda da inocência e como os traumas vividos na infância podem nos acompanhar de forma drástica por toda a vida. Com certeza essa é uma leitura que indico de olhos fechados!

Por Eduarda Marques

Continue Reading

RESENHA | O Livro das Coisas Estranhas, por Michael Faber

o livro das coisas estranhas
Viagem espacial é um assunto que sempre me chamou muito atenção. Sendo assim, quando li que O Livro das Coisas Estranhas tratava do assunto, logo me interessei. Mas a premissa que contém os ingredientes perfeitos para um resultado incrível acabou por não me agradar, me levando ao abandono da leitura.

Peter é um pastor inglês que é convidado por uma empresa para fazer uma viagem interplanetária a fim de catequizar os seres extraterrestres. O livro inicia-se quando Peter está em processo de despedida da esposa a fim de finalmente viajar através do espaço e é um começo extremamente enfadonho para um livro com uma premissa muito chamativa. Senti que as primeiras páginas não fizeram muita diferença na real ideia da história.
o livro das coisas estranhas
Após Peter viajar para Oásis, seu planeta de origem, ele é apresentado à base da USIC (a empresa que o contratou) e seus habitantes. Enquanto leitora apaixonada por tudo o que se relaciona com o universo e seus mistérios, eu ansiava pela narrativa das experiências do protagonista em seu novo lar – principalmente o contato com os extraterrestres. Contudo, o autor deu inúmeras voltas apresentando personagens secundárias nada cativantes e acontecimentos muito desmotivadores. Quando, finalmente o que eu esperava que fosse a ação do livro teve início, a experiência de leitura se mostrou extremamente lenta e desmotivante.
o livro das coisas estranhas
Ao longo da narrativa, Peter descobre que os oasianos já conheciam sobre Deus a priori, sendo inicialmente catequizados por outro pastor que esteve ali antes dele. E O Livro das Coisas Estranhas nada mais é do que a denominação da própria Bíblia segundo os oasianos. Imaginei que o autor pudesse construir alguma crítica ou desenvolver uma linha de pensamento utilizando os extraterrestres como metáfora. Contudo, sua narrativa estava sendo tão enfadonha, feita pelo ponto de vista de um protagonista igualmente insosso que não me senti mais empolgada em ir adiante com a leitura. Quatro páginas de um discurso fúnebre completamente absurdo foi, para mim, a gota d’água.

Para mim foi realmente uma pena que o livro não tenha sido a experiência que eu imaginei. A indicação de Phillip Pulman foi o pontapé para eu me decidir por ler o livro, mas, creio eu, o livro talvez tenha sido escrito para leitores específicos. No caso, eu não sou uma deles.

Continue Reading

RESENHA | Todos Iguais, Poucos Diferentes, por Morais de Carvalho

somos todos iguais pouco diferentes
No momento em que testemunha um assalto, e não faz nada para interferir, nosso protagonista sem nome fica atordoado com a reação da vitima, que ao invés de se desesperar, pede a Deus que perdoe seu algos.  Ele fica fissurado na mulher e passa a espionar sua vida e a de sua família da janela de sua casa. A curiosidade por esses estranhos o faz refletir sobre sua própria existência. E a partir daí passamos a acompanhar a vida desse homem tão misterioso.

Ele que nunca se encaixou nem nunca fez questão de se encaixar em nenhum grupo, vai nos mostrar suas memórias desde sua infância, onde sempre causou estranheza aos demais por ser calado e diferente; principalmente à própria família, por quem acabou sendo rejeitado e abandonado.

Desde então sua única companhia foi a vizinha, Dona Maria, uma velhinha muito amorosa que sempre o tratou como o filho que nunca teve.

“Todos Iguais, Poucos Diferentes” é um livro que apesar de curto, apenas 146 paginas, trás muitas reflexões sobre a vida, as relações humanas e as diferenças, que nos fazem tão únicos, mas que ainda causam a estranheza da maioria das pessoas, que não concordam com nada que seja diferente do que eles jugam ser o certo.

Diana Morais de Carvalho, ou apenas Morais de Carvalho, como a autora assina sua obra, construiu uma estória extremamente cativante e forte que mexeu muito comigo. Me apaixonei completamente pela escrita da autora, totalmente fluida, poética e crua. Os personagens também foram muito bem construídos e são apaixonantes, cada um com suas peculiaridades.

O desfecho dessa estória é surpreendente e de cortar o coração. Apesar de o livro ser escrito no português de Portugal, isso não dificulta em nada a nossa experiencia com a obra. Com certeza esse é mais uma leitura que eu indico para todos, sem exceção.

Continue Reading

Vamos ler Outlander?

lendo outlander
Olá, pessoal!
No post (e vídeo!) de hoje, eu venho convidar vocês para uma leitura conjunta de Outlander. Há algum tempo eu venho desejando fazer essa leitura, mas minhas obrigações diárias foram motivos de diversas procrastinações. Agora que estou de férias, eu e a Ju Cirqueira do Nuvem Literária, nos reunimos para fazermos essa leitura junto de vocês.

A leitura conjunta terá início no dia 11/03, próximo sábado e irá até o dia 03/04, ou seja, terá duração de quatro semanas. O projeto foi dividido em quatro partes para que possamos ler juntos e sem atrasos esse calhamaço de 800 páginas. A ideia é que na primeira semana nós façamos a leitura de 25% do livro; na segunda, os próximos 25% e assim por diante até completarmos a leitura em quatro semanas.

Como vai funcionar?
Do dia 11/03 ao dia 18/03 nós iremos ler da página 1 até a página 214, quando termina o capítulo 11 e inicia o capítulo 12.
Do dia 18/03 ao dia 25/03 leremos da página 214 até a página 412, quando termina a Parte III do livro.
Do dia 25/03 ao dia 01/04, leremos da página 413, quando inicia-se a Parte IV até a página 611, quando termina o capítulo 31 e inicia-se o capítulo 32.
Do dia 01/04 ao dia 08/04, nós leremos o restante do livro, concluindo, assim, a leitura.

Ao longo do projeto nós iremos nos comunicar com vocês através das nossas redes sociais. Ah, também nas nossas redes irão acontecer algumas ações com sorteios de brindes para vocês, portanto é extremamente importante que vocês nos acompanhem por lá também! Além disso, recomendamos que vocês usem a #LendoOutlanderNP, assim nós interagimos com vocês e ficarmos por dentro das participações nas ações.

Se você ficou com vontade de ler conosco, tudo o que precisará fazer é:
– Preencher o formulário:
– Ser inscrito tanto no Palavras Radioativas quanto no Nuvem Literária

É importante frisar que só poderão participar das ações e sorteios aqueles que preencherem o formulário!

É isso, pessoal. Espero que vocês estejam tão empolgados quanto a gente! Esperamos vocês no sábado.

Grande beijo!

Continue Reading

Resenha | Ciclo Terramar #1 – O Feiticeiro de Terramar, por Úrsula K. Le Guin

feiticeiro de terramar

Ged, órfão de mãe, era pastor de ovelhas e morava sozinho com seu pai em um vilarejo muito simples. Ainda pequeno, durante uma invasão no lugar onde mora, ele descobriu ter aptidão para a magia.

Sua tia que era bruxa então resolveu levar o garoto para morar com ela e ensiná-lo a controlar seus poderes; depois de algum tempo, com a sua crescente fama, ele foi mandado para uma escola de magos.

Porém, ao chegar lá Ged foi ficando cada vez mais deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, e foi logo dominado pelo orgulho e a ambição; além disso Ged foi criando muitas inimizades durante seus anos na escola.

Um dia tomado pela fúria de ser hostilizado pelos colegas, Ged acabou, sem querer, libertando um grande demônio das trevas, e isso acabou o levando a uma cruzada mortal pelos mares solitários de Terramar, afim de acabar com o mal que ele mesmo cometeu.

O Feiticeiro de Terramar é um livro sobre ambição e como tal sentimento pode corromper e trazer desgraças sem precedentes para quem o nutre. Um livro de fantasia épica típico, cheio de magia e dragões.

Apesar de ser um livro curto, só 176 Páginas, pra mim essa foi uma leitura bastante cansativa. Achei a premissa bastante interessante, mas, de forma alguma me senti pressa a história e por isso acabei arrastando a leitura por uns bons cinco dias, quando sei que poderia tê-lo terminado em no máximo dois.

Nunca li nada da autora Úrsula K. Le Guin antes, mas sei que sua escrita poderia ter me envolvido muito mais em outro tipo de história. Seus personagens e ambientações são muito bem construídos e desenvolvidos ao longo da narrativa, mas achei a história muito mais do mesmo, como se ela tivesse pegado um pouco de cada livro do gênero e inserido aqui, e seu desfecho foi muito clichê.

Por isso não sei se irei dar continuidade a série; mas de qualquer forma, recomendo essa leitura para quem gosta do gênero e também de leituras simples.

Continue Reading

RESENHA | A Amiga Genial, por Elena Ferrante

a amiga genial
A Amiga Genial é o primeiro livro da série Napolitana, da autora italiana Elena Ferrante. Antes de iniciar a resenha em si, acho interessante apresentar um fato curioso acerca do livro. Não seria do livro propriamente dito, mas sim da autora. Elena Ferrante é o pseudônimo da autora, que vive nas sombras do anonimato. Elena jamais veio a público e acredita que o livro deve falar por si só, sem interferências de quem o escreve.

O livro narra a história das duas amigas de infância, Elena Greco e Rafaella Cerullo. Porém, raras são as cenas em que as meninas são chamadas por seus nomes. Elas são mais conhecidas por seus apelidos. Elena é Lenu; Rafaella é Lina para o bairro, Lila para Elena.
a amiga genial
A história nos é narrada, então, por Lenu, que apresenta os acontecimentos desde por volta dos oito anos de idade, quando conheceu Lila na escola. A menina, que desde o princípio chamou sua atenção, era muito obtusa, bagunceira e extremamente inteligente. Tal fato, para Lenu, era praticamente inconcebível, afinal, como poderia uma garota se comportar tão mal e ir tão bem nas matérias da escola? Mas é a partir desse ponto que as duas tornam-se amigas e Lenu continua a narrar toda a fase da infância e da adolescência.

Somos apresentados às muitas personagens secundárias que fazem parte da história; pessoas do mesmo bairro que as meninas. Na Nápoles do pós-guerra, todos estão buscando reconstruir a vida de alguma forma e, ao longo da leitura, conhecemos desde famílias que buscam o sustento no artesanato, até famílias que sobrevivem ilegalmente. O fato é que o próprio bairro das meninas é carregado de violência, advinda não somente da guerra, mas também dos costumes da época e do local. A atmosfera que permeia o lugar é de intensa competição em busca do destaque, da guinada tão esperada na vida.

E o interessante de tudo isso, é que essa competição está, a todo momento, fazendo-se presente na amizade das meninas. Lenu sempre admirou muito Lila e tenta, com todas as forças, equiparar-se à amiga, ou se destacar em algo que ela não seja tão boa assim. Tem início na escola, em que ela sempre buscou ser tão boa quando Lila e espalhou-se para as demais esferas da vida. Mas uma coisa é fato: Lila é o tipo de pessoa que se destaca em tudo que faz, que chama atenção. Por esse motivo, Lenu frequentemente se via ofuscada pela amiga e lutava por seu lugar ao Sol nos âmbitos que a Lila não alcançava.
a amiga genial
A leitura foi uma experiência incrivelmente verossímil. Ao meu ver, os conflitos apresentados na infância e na adolescência das meninas foram, em sua maioria, muito semelhantes àqueles que todos enfrentamos quando passamos por essa fase. A busca por boas notas, por mostrar nosso valor às pessoas, por nos sentirmos capazes. E também não muito difícil de acontecer é a competição com nossos colegas quando não nos sentimos realmente valorizados. Ao meu ver, o livro é tão atual que chega a impressionar.

Eu simplesmente adorei ter realizado essa leitura. A história é muito cativante e envolvente. São muitas as situações em que podemos encontrar semelhança com nossa realidade atual, além de termos o privilégio de sermos apresentados à sociedade Napolitana da época. Ao ler A Amiga Genial, o leitor se depara tanto com dramas típicos adolescentes, quanto com temáticas mais sérias que a autora aborda, como a pedofilia e o patriarcalismo. Temas que, por mais que sejam abordados em uma história de décadas passadas, fazem-se presentes até os dias atuais. Resta apenas ao leitor encarar tais fatos de forma crítica ou não.

Continue Reading